segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Genética

O ser humano caracteriza-se por uma grande complexidade fruto de um longo processo evolutivo. A sua estrutura complexa permite-lhe a adaptação e usufruto do meio.

Filogénese e ontogénese

A filogénese é o conjunto de processos de evolução dos seres vivos, desde os mais elementares aos mais complexos. É, também, o conjunto dos processos biológicos de transformação que explicam o aparecimento das espécies e a sua diferenciação. Concluindo, a filogénese reporta-se à história evolutiva de uma espécie.
 A ontogénese - desenvolvimento do indivíduo - designa o desenvolvimento de um indivíduo desde a fecundação até à sua idade adulta: inicia-se com a embriogénese e prolonga-se no desenvolvimento pós natal até à idade adulta.
Lei da recapitulação

O desenvolvimento do embrião exprime, recapitula etapas do desenvolvimento que correspondiam a estádios de evolução da história filogenética das espécies. Esta teoria afirmava que o desenvolvimento dos indivíduos estava apenas dependentes de factores biológicos, facto que veio a ser derrubado por uma teoria que afirmava que o desenvolvimento dos indivíduos estava depende da interacção entre factores genéticos e factores inerentes ao meio de desenvolvimento.

São as transformações ontogénicas que possibilitam a adaptação do indivíduo ao meio. Por isso, é possível afirmar que a ontogénese (evolução de um indivíduo) determina a filogénese (evolução da espécie).                              

Programa Genético

Os programas genéticos fechados prevêem, de forma determinada, processos evolutivos e comportamentos característicos de uma dada espécie. Nos mamíferos, o carácter determinista e rígido do programa genético não se faz sentir desta maneira.
O que distingue o ser humano de muitos outros seres é o facto de as suas acções não serem definidas por um programa fechado. Os nossos sistemas biológicos estão predeterminados, em grande parte, nos seus processos de desenvolvimento e funcionamento.
Há uma grande diferença entre os seres vivos “totalmente” programados e outros que são parcialmente programados. No ser humano essa programação é menos significativa, por comparação a outros animais - programa genético aberto.
A ausência de algumas hiper-especializações, como as garras e o olfacto apurado, constituem uma vantagem, na medida em que o seu inacabamento, permite-lhe adaptar-se às mudanças e a situações imprevistas.

Prematuridade e neotenia

Tal como referi anteriormente, o Homem é um ser biologicamente inacabado. O seu organismo leva muito mais tempo a atingir o pleno desenvolvimento do que as outras espécies. O ser humano é um ser prematuro, já que, como as suas capacidades não se encontram desenvolvidas, nasce inacabado.
Esta prematuridade explica por que razão a infância e adolescência humanas são tão longas: é o período de acabamento do processo de desenvolvimento que decorreu na vida intra-uterina. O prolongamento destes períodos biológicos - juvenilização - é uma condição essencial para a sobrevivência e adaptação da espécie. Um exemplo real que realça as vantagens do inacabamento biológico do ser humano é o facto do desenvolvimento do cérebro - cerebralização - se processar de uma forma lenta - lentificação, conferindo-lhe maior flexibilidade/plasticidade. Assim, este retardamento ontogénico é favorável à aptidão para aprender, ao desenvolvimento intelectual e cerebral, à impregnação e, portanto, à transmissão cultural.
Assim surge o termo neotenia: é um atraso no desenvolvimento a nível físico, que faz com que o indivíduo se desenvolva mais devagar e esteja dependente de adultos para o orientar. Um reflexo da neotenia é o facto de o adulto possuir ainda traços característicos da infância e da adolescência

Vantagens do inacabamento Humano

-Permite desenvolver as capacidades de adaptação do ser humano;
-O prolongamento da infância protege o homem e facilita a aprendizagem;
-O aprendido passa a ter um lugar decisivo na constituição do ser humano;
-Ocorre uma regressão dos instintos, evidenciando a importância da cultura;

Cérebro

Nos invertebrados, a forma adulta e os seus comportamentos estão praticamente determinados na estrutura genética. Nestes casos não se pode falar em indivíduo como quando nos referimos aos seres humanos e até aos vertebrados.

Lentificação do desenvolvimento cerebral

No ser humano, o processo de desenvolvimento do cérebro é mais lento do que o de outros mamíferos. Esta lentidão traz vantagens, pois possibilita a influência do meio e uma maior capacidade de aprendizagem. Mesmo no estado adulto, há uma adaptação biológica do indivíduo. O carácter imaturo do cérebro humano prolonga-se ao longo da vida tornando-se uma vantagem.
O cérebro é um órgão que apresenta múltiplas configurações, não havendo nenhum cérebro igual a outro. Uma parte dessas diferenças está pré-programada pela diferente expressão dos genes. Outra parte é influenciada pelas experiências dos indivíduos, desde as intra-uterinas até às do meio ambiente. Este processo de individuação ultrapassa as definições genéticas.

Plasticidade e aprendizagem
A plasticidade é a capacidade do cérebro em se remodelar em função das experiências do sujeito, em reformular as suas conexões em função das necessidades e dos factores do meio ambiente. As redes neuronais modificam-se em função das experiências vividas. É a plasticidade fisiológica que permite a aprendizagem ao longo de toda a vida.
O carácter plástico do cérebro humano é o que permite a aprendizagem. Por outro lado, é esta aprendizagem que permite que o cérebro se modifique consoante as necessidades de adaptação, pondo em causa a tese do determinismo genético. A aprendizagem é o principal instrumento de adaptação humana.



Inteligência dos animais
A pergunta: “Os animais são inteligentes?” teve como resposta, durante muito tempo, uma afirmação negativa. Pensava-se que o comportamento animal  se regia por instintos e reflexos condicionados aprendidos.
No entanto as investigações sistemáticas sobre a inteligência animal vieram mostrar que a maior parte dos vertebrados têm capacidade para aprender e resolver problemas. Conclui-se que está relacionada com o desenvolvimento do sistema nervoso central, particularmente o tamanho e a complexidade do cérebro.

Cultura

Cultura - A riqueza da diversidade humana

Todos partilhamos características comuns que nos tornam distintos de qualquer outra espécie, no entanto, todos somos diferentes – diversidade biológica.

Diversidade Biológica

A descodificação do genoma humano é muito semelhante de indivíduo para indivíduo, sendo que, os 6 milhões de seres humanos partilham 99,9% do código genético.
A constatação de que a composição genética dos seres humanos é igual em todo o mundo põe em causa o conceito de raça, e por consequência o Racismo. De facto, é possível encontrar maiores diferenças genéticas entre duas pessoas que vivam no mesmo país do que entre um africano e um europeu.
Se a hereditariedade específica assegura um conjunto de características comuns que nos tornam humanos, a hereditariedade individual torna-nos únicos. Nos seres humanos o programa genético não define o indivíduo, é antes, um conjunto de instruções que favorecem a variação individual. O processo de desenvolvimento ocorre em contexto social, aprofundando as diferenças da hereditariedade

Diversidade Cultural

Aquilo que trazemos escrito no nosso código genético não é suficiente para crescermos como humanos. Sem a cultura e sem as possibilidades de desenvolvimento que nos proporciona crescermos num contexto cultural particular, seríamos incompletos.

Diversidade Individual

A cultura tem um papel importante mas não determina aquilo que somos. Somos produtos da nossa cultura, mas somos também produtores de cultura.
Relativamente ao nosso corpo e cérebro, estes contém certas características que não são determinadas por uma biologia escrita em nós. É neste ponto de encontro entre a cultura e a Biologia, que se reflecte a diversidade de cada indivíduo.